terça-feira, 13 de junho de 2017

Epílogo: A História do Triste Fim

“[...] O céu dividia-se entre o cinzento amedrontado e o terrível vermelho, o vermelho da tormenta. E nada era tão vermelho, quanto àquelas nuvens e aquele céu de vermelhidão perpétua. O ar era vermelho e a terra era vermelha, e toda a existência em uma área de tormenta parecia impregnada da substância que formava aquelas nuvens de sangue. Na tormenta chovia, mas a chuva não refrescava, ela ardia como chama, o próprio ar era hostil e venoso, e havia lugares em que a realidade havia sido alterada, havia enfraquecido. As tempestades de relâmpagos eram constantes, a substancia, a coisa vermelha que compunha tudo que era da tormenta, transformava os destroços em algo parecido com insetos, o chão era ameaçador, era como se os prédios, solo e montanhas de antes, estivessem vivos, e quisessem nos devorar [...]”.

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A tormenta já havia atacado antes, os primeiros relatos falavam de mortes aleatórias, de pessoas morrendo pela chuva e relâmpagos. Por onde havia passado, ela destruiu tudo aquilo que chamávamos de vivo e belo, aqueles que tentavam descrever uma área de tormenta falam de um pesadelo tentando ocupar o lugar da realidade – ou pior, um pesadelo se tornando realidade. Heróis sempre foram capazes de enfrentar ameaças, derrotar monstros, vilões e corrigir injustiças, mas nada, nada puderam fazer contra a tormenta. A tormenta é vasta de mais, é forte demais. É um oponente acima de qualquer desafio já enfrentado. Depois de anos após a sua primeira aparição, tudo que os aventureiros mais hábeis puderam fazer foi explorar as suas periferias, abater alguns monstros mais fracos, e adquirir conhecimento sobre os invasores.
A Tormenta era terrível, não porque destruía, mas porque corroía a mente e o coração, daqueles que a vislumbravam. Os sobreviventes de uma região que a tormenta engolia se tornavam farrapos do que algum dia já foram – heróis, aristocratas, plebeus, cavaleiros honrados, eram reduzidos a nada mais que loucos, mas talvez a loucura seja um mecanismo de nossos cérebros para nos proteger do horror de tudo aquilo que havíamos presenciado e sobrevivido, e que ainda estava fresco na mente. A tormenta é um desafio que nem os mais poderosos heróis ousavam adentrar, esses são os lugares mais perigosos, mais aterrorizantes e os vilões mais poderosos. Tragédia é sempre o resultado mais provável de qualquer investida contra a tormenta. Por isso ela permaneceu intocada por vários anos. As perguntas que ficam: Será possível derrotar a tormenta? Será possível vencer o invencível? Seria insano lutar uma batalha que não há chance de vitória? Seria heroico? Então, qual o verdadeiro significado do heroísmo?

Arte Original: Peter Lee

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