terça-feira, 4 de julho de 2017

O Coração de Zhur - Ato I

[...] dizem que Zhur fora uma criatura estranha, mística e imortal, cuja origem e história se perderam há muito tempo, era uma criatura fria e desprovida de sentimentos, tão fria que em seu coração jazia da mais pura obsidiana. A vários desfechos para essa história, seja em poemas ou contos, mas a maioria deles sempre termina da mesma maneira e conta que com o tempo o impossível se tornou possível, e Zhur acabou se apaixonando por uma mortal, um amor tão intenso que foi capaz de dar sentimentos a quem não tinha, mas sua felicidade durou pouco, pois sua amada possuía uma doença rara e não duraria tanto tempo, inconformado com o seu destino, Zhur arrancou seu próprio coração e deu-lhe a sua amada, abandonado a imortalidade e concedendo-a vida, dizem que ele viveu mais feliz durante esse tempo, que as incontáveis eras que já havia vivido [...]
- Os cânticos de Luigi, o sortudo.

Azazel “Paladino” [Ryertson], Gimbol [Pedro], Mobius Crowller [Danilo], Thorg [Rayandson], Turok [NPC]
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Estou começando a transcrever os diários de campanha da história que dá nome ao site. Ambientada no cenário brasileiro de fantasia Tormenta, que começou usando o sistema de D&D 3.5, mas modifiquei tanto o sistema ao longo dos anos que poderia facilmente ser chamado de D&D 3.75, e atualmente está sendo usado o sistema de Pathfinder RPG.
A História do Triste Fim trata-se de uma narrativa sobre reinos, espada e magia. Laços de sangue, juramentos, romances, vilões, heroísmo e destinos terríveis e grandiosos, mas ainda assim uma história sem um final feliz.
Cada postagem será um ato da história, que é composto geralmente por várias sessões de jogo, eu as listarei ao longo da narrativa, as sessões jogadas, locais de jogo e a data.
Tudo será escrito de forma romanceada, com as partes mais interessantes do ato (ou torna-se muito cansativo e trabalhoso de se atualizar).
Cada arco tem um objetivo, uma mensagem ou crítica escondida, não aquele objetivo para ganhar experiência, avançar na história ou um meta-objetivo narrativíssimo como: “introduzir os personagens no mundo”, todas as aventuras têm uma mensagem que está acima disso, uma mensagem profunda sobre uma característica humana e isso reflete no título da aventura (respectivamente no título do diário).
Essa será minha ultima história que mestrarei em tormenta, espero que gostem.
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Sessão [001]
Local [Casa do Mestre]
Data [31/05/2015]
Até onde se sabe, essa história tem início em uma das grandes nações que compõem o conglomerado de reinos que é o reinado, localizada a oeste, famosa por ser palco de incontáveis relatos e ponto de partida para contos fantásticos. Petrinya, o reino das histórias fantásticas.
Petrinya é famosa, não apenas por ser o berço cultural de histórias, mas por seu número surpreendente de heróis e aventureiros. Uma a cada dez pessoas nativas do reino se torna aventureiro.
Apesar de toda a fama de aventureiros, Petrinya é de longe um lugar totalmente civilizado e seguro. Nesse reino ainda existem diversos locais ainda virgens que não foram mapeados e nem totalmente explorados. Os grandes bosques que percorrem toda a região central-nordeste do reino são um exemplo disso, entre eles há os bosques de Farn, um lugar conhecido por abrigar muitos perigos e todo o tipo de seres fantásticos com pouco ou nenhum contato com os “povos civilizados”.

OS BOSQUES DE FARN
A noite já começava a cair com o brilho de Azgher enfraquecendo distante no horizonte, na medida em que o do véu da dama da noite Tenebra surgiam tímidos no céu.
Um grupo de viajantes trespassava cautelosamente pelos bosques, eles sabiam que aquele era um lugar traiçoeiro e perigoso, os músculos e sentidos estavam em tensão e alerta constante. Mas ainda assim não foi o suficiente para evitar serem cercados por um ajuntamento de criaturas hostis, elas se assemelhavam muito com homens primitivos, possuíam colunas corcundas, pele acinzentada e rosto com presas salientes muito semelhantes a de javalis. Eles rosnavam furiosos em torno do grupo.
No centro desse grupo portando um machado com uma haste de metal muito maior que qualquer humano, existia uma criatura com chifres vestindo uma armadura feita de talas de metal entrelaçadas entre si. Talvez um monstro se visto de longe, mas reconhecido por seus companheiros como um homem valoroso e um sacerdote respeitável. Havia também um guerreiro com uma couraça de metal, empunhando uma espada ampla e um escudo que carregava um símbolo de uma balança. Ele empunhava a espada em riste contra as criaturas. Havia também uma criatura reptiliana e quase humanoide, ela era tão baixa quanto um anão, mas nitidamente mais atarracada e musculosa, possuía uma cabeça similar à de um lagarto, com uma crista que começava no topo de sua testa e continuava até a base do pescoço, carregava consigo um machado cheio de ossos, chifres, garras, presas, repleto de saliências cortantes e perfurantes. Talvez em qualquer lugar civilizado seria vista como um monstro, mas não naquele grupo. Atrás dessa criatura, um pouco tenso e tremulo, estava um jovem magro e esguio, com um chapéu pontudo, cabelos compridos e vestes longas, ele segurava em suas mãos um tomo tão antigo quanto a própria terra. Distante dali tentando se ocultar nas sombras do seus companheiros estava uma criatura baixa e esguia, com grandes olhos amarelos, ela era tão baixa quanto a criatura reptiliana, sua pele era cinzenta e segurava em sua mão uma espécie de mosquete estranho.
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- Orcs de Farn, já ouvi histórias de como são horrendos e brutos, mas nunca pensei que fossem tão assustadores! – dizia o jovem de chapéu pontudo.
Com um passo largo acompanhado de urros descontrolados os orcs iniciam a carga ante o grupo com seus machados, foices, faciones e outros objetos pontiagudos enferrujados que imploravam por uma gota de sangue. O primeiro foi logo recebido com um tiro certeiro advindo da pequena criatura de olhos amarelos, o disparo explode a cabeça do orc que vai ao encontro chão, o barulho ensurdecedor do mosquete fez diversos pássaros e outros animais se assustarem. Incrédulos com tamanho poderio, um dos orcs armado com um machado instintivamente vai em direção a criatura de olhos arregalados, pego de surpresa, ele é recebido com um golpe devastador do machado da criatura reptiliana que arranca uma quantia considerável de sangue e por pouco não lhe divide ao meio.
GIMBOL! – era a voz da criatura com chifres, Turok – O clérigo de Tauron – que corre em direção ao orc, este último logo é destroçado por um golpe certeiro do machado de haste do minotauro, o sangue preto jorra farto na túnica do sacerdote.
Com gestos precisos e alguns múrmuros mais dois orcs tombam inertes vítimas do feitiço de Mobius. Ele logo torna-se alvo de outro orc, o golpe da criatura é defletido por uma armadura invisível e o acerta somente de raspão. Em meio aquilo o guerreiro de couraça vai em sua ajuda, com um golpe rápido e limpo, o orc é decapitado. Seu corpo inerte cai sem vida alimentando ainda mais o bosque com sangue - Eu sou Azazel, um campeão de Valkaria, a minha fé é meu escudo e a justiça é minha espada! – enquanto apontava sua espada ensanguentada para as criaturas.
Vendo que o grupo era poderoso demais, a maioria dos orcs restantes começam a recuar, enquanto outros em um instinto de fúria suicida vão para cima da criatura reptiliana, que responde com um urro – querem testar a sorte? – E desfere um golpe com o seu machado, o impacto dele explode no escudo do orc trincando e trespassando-o, um ataque devastador que destroça a criatura e leva em seu caminho carne e sangue.
Sessão [002]
Local [Casa do Mestre]
Data [04/06/2015]
Isso fora a dois dias atrás, agora no raiar do dia o grupo se aproxima da pequena cidade de Adolan, já bem cansados de sua jornada através dos perigosos bosques de Farn.
Em uma primeira vista Adolan parecia ser uma cidade pequena e tranquila, suas ruas eram pouco movimentadas. O que mais chamava atenção era o desanimo de seus aldeões e na nítida falta da milícia local. O templo de Lena tinha uma aparência bem simples, mas era amplo modesto e acolhedor. Construído para ajudar e abrigar qualquer alma com algum tipo de infortúnio ou má sorte.
Assim que o grupo adentra no templo, eles sentem sensação de alivio e descanso. Ao mesmo tempo todas as suas armas, escudos e equipamentos, parecem ficar mais pesados e incômodos. Nesse instante um grupo de noviças vestindo mantos brancos com detalhes esverdeados surgem, elas aparentavam ter não mais que dezessete invernos.
o templo de lena é um abrigo para todos, permitam-nos alivia-los do peso e infortúnio dos seus equipamentos, cuidaremos do longo castigo que sofreram na sua jornada falava a mais tímida delas, com seu corpo delgado e longos cabelos lilás – poderão pega-los, assim que desejarem.
onde está Athela? Viemos em resposta ao seu chamado – Era Mobius, direto como uma flecha e retirando seu chapéu pontudo.
está no salão, irei guia-los até ela, por favor me acompanhem – tamanha era sua timidez que ela falava com dificuldade, tropeçando nas palavras uma atrás da outra.
E assim o grupo adentrava no templo, as outras noviças desapareciam com os equipamentos através das cortinas tão rápido quanto surgiram. O piso era feito por diversos blocos de pedra rustica, aparentemente cortados e encaixados entre si, o teto era curvado e sustentado por diversos arcos interligados as colunas. Assim que o grupo chegava ao salão eles viam uma linda mulher, aparentando não ter menos que trinta invernos, trajando longos mantos brancos similares aos das noviças, seus cabelos eram prateados, mas o que roubava mais atenção era sua expressão sempre triste e vaga.
sejam bem-vindos – dizia Athela, com um sorriso simples, porém caloroso – fico feliz que tenham respondido ao meu chamado, foi uma longa viagem? Acredito que estejam curiosos para saber o motivo que foram convocados.
o que você precisa Athela? – falava Thorg, bruto como uma rocha, enquanto retirava os mantos que ocultavam completamente sua aparência reptiliana monstruosa.
venho pedi-lhes que escoltem uma de nossas noviças até malpetrim em segurança, para isso o templo oferece a vocês mil e quinhentos tibares de ouro – com um tom quase de suplica.
O goblin retirava seu capuz e com seus arregalados olhos amarelos, mira Athela por um tempo – Sei que ajudar a igreja da deusa da vida é uma atitude louvável e mais ainda ajudar uma amiga de um conhecido, contudo, para uma viagem dessa distância... poderia nos oferecer um pouco mais para nutrir os nossos gastos de equipamentos?
Um breve silêncio. E o minotauro Turok já mirava Gimbol com um olhar fulminante de reprovação, mas ele sabia que por mais que o goblin fosse avarento, ele dizia a verdade.
poderíamos oferece-lhes dois mil tibares de ouro, mas apenas dispomos de mil – fez um gesto lento até a mesa onde um saco grande aguardava – o resto da recompensa vocês pegarão com os dois sacerdotes que aguardam em malpetrim, o que me dizem?
então quem iremos escoltar? – As palavras de Turok, eram como um trovão feroz, quase nunca eram proferidas, pois eram usadas apenas quando necessário.
Uma das noviças entrava no salão, logo o grupo reconhecia com uma das que levaram seus equipamentos.
essa é Hannah, o dever de vocês é levá-la até malpetrim em segurança – enquanto fazia um gesto até a noviça.
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E então o grupo partia de Adolan uma vila pequena e quieta, do reino das histórias, sobre qual nenhuma história existia, uma vila que não possuía milícia, porque os homens haviam sido mortos anos atrás.  E deixaram a cidade com os bolsos pesados de ouro e a alma pesada de dever.
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Alguns dias de viagem depois, indo rumo a sudeste subindo uma pequena colina, o grupo já podia ver a cidade Grenjer, assim como Adolan, Grenjer era uma cidade pequena, porém nitidamente mais movimentada e alegre.
Depois de vários dias sobrevivendo de ração, os estômagos dos aventureiros já começavam a implorar por comida de verdade. Enquanto caminhavam pela cidade em busca de uma taverna, notavam muita movimentação nas ruas, aldeões colocando apetrechos, outros levando caixas, enquanto alguns decoravam suas casas, deixando mais que evidente que aconteceria algum tipo de comemoração ou festa pública.
E assim o grupo chega até a taverna do Grunt, era um estabelecimento grande, com dois andares, em sua frente havia uma grande placa – A preferida de Cyrandur Wallas – na medida em que adentravam na taverna o cheiro de comida incendiava as narinas, junto com o cheiro de hidromel que revirava ainda mais alguns estômagos. A taverna do Grunt era um local em geral conservado, não que seja muito diferenciada de outras tavernas, porém, era nitidamente mais limpa que o esperado. Um velho bardo em um canto contava histórias sobre o poderoso Grunt, um monstro que supostamente lutara contra Cyrandur Wallas. Ele era observado por um grupo de viajantes, entre eles havia uma mulher muito robusta e cheia de cicatrizes, suas feições eram bestiais, e sua boca apresentava dois caninos protuberantes similares à os de javali.
Em outra extremidade do recinto havia uma mesa onde uma fada voava tranquila, ela tinha a pele branca como a neve e os cabelos esverdeados como uma esmeralda. Ela era observada por uma belíssima mulher com orelhas pontiagudas, seus cabelos eram longos e lilás, seus traços eram bem suaves e delgados. Na mesma mesa havia dois homens e um anão de aparência hostil, eles bebiam, gargalhavam e contavam história de coisas que sempre gostariam de fazer, mas nitidamente não tinha coragem, rindo com eles havia um sacerdote carregando a flamula de Valkaria, a deusa dos aventureiros. Apenas um deles que parecia ser o líder, permanecia sério com pensamentos distantes, ele trajava uma túnica pomposa acompanhada de um chapéu marrom com uma pena no topo e repousava em cima da mesa, talvez um nobre, o que mais chamava atenção em sua aparência era uma cicatriz horrível em vertical que trespassava seu olho esquerdo com a íris de cor branca, provavelmente cego. Eles encaram o grupo assim que entram, mas logo perdem o interesse e continuam a conversa. Em outro extremo um miliciano de um braço só trajando uma couraça metálica arrastava um bêbado para fora da taverna.
será uma longa jornada, provavelmente três a quatro semanas – dizia Thorg completamente encapuzado, enquanto bebia uma cerveja. Nesse momento uma criança entrava na taverna aparentando não ter mais que dez invernos e ia em direção ao taverneiro.
Mila você não devia estar aqui, já veio diversas vezes, se eu tivesse alguma notícia da sua mãe já teria lhe procurado... Olhe ela é uma eximia espadachim e logo estará de volta – já dizia o taverneiro com um tom de protesto. Ela abaixava a cabeça em desaprovação e mira o grupo por alguns instantes, até que toma coragem para se aproximar da mesa.
os senhores são viajantes? – dizia quase em um tom de suplica.
sim, qual o problema senhorita? – Era Morbius tirando o seu chapéu pontudo e fechando o seu grosso tomo.
A pequenina olha para baixo e fica vermelha como um ruby, com esforço coloca a mão no bolso de seu pequeno vestido e tira um surrado tibar de prata – vocês poderiam procurar minha mãe? Ela possui uma pintura com três linhas no braço... ela... ela foi em viajem até a capital a três meses e nunca mais volto – não conseguia conter as lagrimas.
não há a necessidade de pagamento pequenina, nós procuraremos sua mãe, se tivermos alguma notícia, avisaremos a você – a garota deu um sorriso caloroso e logo sairá correndo em uma velocidade impressionante, sorrindo e pulando, até sumir da visão do grupo.
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A noite cai e logo gargalhadas alegres, bandolins e tambores dominavam o ar. Crianças corriam umas entre as outras, algumas pessoas cantavam canções tradicionais da região com copos de vinho a mão, outros contavam histórias que juravam ser verídicas de como são parentes distantes de Cyrandur Wallas.
O grupo se dividira. Thorg, devido à dificuldade de andar em mantos decidiu ficar na hospedaria do Grunt, enquanto o resto do grupo fora até o festival.
A festa tinha diversos atrativos, dentre eles, algumas lojas mercantes, disputa de braço de ferro, disputa de arquearia e etc. Assim que caminhavam logo ouviam a primeira atração – Será que alguém aqui é mais forte que Ruminak? Devo avisa-lhes que ele possui uma força indomável e incontrolável, aquele que vencê-lo em uma disputa de braço de ferro além de ser o mais forte da região, levará a glória da plateia e essa bolça com cinco, isso mesmo, cinco tibares de ouro, para entrar nessa disputa basta apenas um tibar de prata, e então quem tem coragem para enfrenta-lo e derrota-lo?
Turok levantou com o seu porte rígido e inflexível, e caminhou em direção ao palco – eu o sacerdote do deus da força e da coragem, aceito seu desafio.
Ao redor do palco diversos apostadores já começavam a protestar e argumentar em apostas, a favor ou contra o desafiante. Um senhor de chapéu pontudo sentado ao redor do palco assegurava que o sacerdote de Tauron não estivera usando magias divinatórias para aumentar sua força.
Aproveitando a deixa, Gimbol movido pela avareza pura, aceitava algumas apostas, enquanto os dois competidores já sentavam no banco onde uma arvore cortada ao meio servia como mesa.
- prontos?! Comecem! – Talvez o apresentador estivera exagerando a respeito de Ruminak, mas sua força não era baboseira, empatados em força Turok já sabia que vencê-lo seria um desafio. A mão do minotauro começava a pender em direção a vitória de Ruminak, em resposta ao desafio Turok se envergara um pouco e esperava até que seu braço chegasse em uma posição calculada a favor do oponente, assim que ele mordeu sua isca Turok colocou toda sua força de uma vez conseguindo a vitória sem Ruminak ter uma reação sequer. O grupo lucrara alguns tibares de ouro, Turok descia do palco levando a gloria de uns e a vaia de outros, enquanto seguia em direção a hospedaria. No outro lado da multidão irritado com alguma coisa, Morbius também retornava a hospedaria.
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O tempo passara e alguns aldeões já se retiravam paras suas casas, logo não se via mais crianças perambulando pelas ruas ou no bosque. Estavam apenas o Paladino, Hannah e Gimbol. Antes de retornar o restante do grupo decide adentrar no bosque para ver o famoso marco do Grunt, o suposto local onde o corpo petrificado da criatura repousava com a arma de Cyrandur encravada em seu ventre.
Alguns minutos de caminhada e já não se via mais nenhuma alma viva na trilha, nem mesmo o barulho energético do festival, com a luz de tocha o grupo seguia, fazendo apostas se realmente havia algum marco, eles caminharam até chegar a uma clareira. A espada encravada na pedra era uma visão irrisória, qualquer um com um pingo de noção e treinamento em espada poderia notar que era só fachada, a espada estava em uma pedra que por coincidência parecia com um corpo.
Na clareira havia o miliciano com um braço só segurando uma tocha, ao seu lado estava a mulher de orelhas pontudas e a fadinha, que riam da história do Grunt, elas perdiam o interesse assim que o grupo chega.
Silencio. E mais pessoas esquisitas apareciam, atrás do grupo surgia uma figura encapuzada que se mostrava ser uma espécie de goblinóide vindo de Lannor, muito peludo e talvez mais alto que o minotauro, cheio de músculos e com um porrete na mão. Do outro lado um orc cheio de cicatrizes surgia ao lado de um anão com cara de poucos amigos portando um martelo e um escudo contendo a balança de Khalmyr, e dos arbustos atrás surgia um sacerdote com a flâmula de Valkaria. O paladino já previa problemas e a mão já começava a ir em direção a bastarda. O Goblin ainda tentara argumentar.
Não faria isso se fosse você, se me permite dizer – falara a figura que descia do topo de uma arvore próxima e trajava roupas pomposas como as de um nobre.
O que vocês querem? Asseguro que não tempos nenhum problema ou assunto com vocês – dizia Gimbol, com seus arregalados olhos amarelos.
Todos na clareira pararam e olhavam para a mesma direção – vocês possuem algo que quero, entregue-me a sacerdotisa – falavam todos ao mesmo tempo.
O miliciano soltava a tocha e puxava uma espada da cintura, a belíssima elfa retirava sua espada longa polida e cheia de joias, enquanto o sacerdote de Valkaria erguia sua maça, o anão já tinha um martelo de guerra em punhos e o orc retirava das costas um porrete cheio de sangue seco.
Não devemos nada a ninguém – dizia Azazel, empunhando seu escudo e apontando sua bastarda em direção a eles – não sei o que vocês querem, mas não levarão a sacerdotisa.
A resposta vai rápida com um tiro do mosquete de Gimbol, o disparo certeiro perfura o elmo do miliciano que vai ao encontro do chão logo em seguida, o barulho assusta os corvos e ecoa pelo boque.
Nibelong Luminus – Dizia a Fada, enquanto uma pequena chama multicolorida surge na palma de sua pequeninas mãos, ela a assopra em direção ao grupo e instantes depois ela explode em uma luz intensa que engolfa todos. Gimbol instintivamente cobre os olhos com sua capa, enquanto os seus companheiros são pegos de surpresa pelo feitiço.
Aproveitando a brecha o sacerdote de Valkaria se aproxima de Azazelvalkaria guie minha arma para destruir essa criatura maligna, expurgar o mal! – a maça voa certeira no rosto do paladino arrancando um dente em seu trajeto e levando consigo uma quantidade considerável de sangue.
O goblinóide avançava em direção a Gimbol que engatilhava uma bala com dificuldade na câmara de seu mosquete, a criatura erguia seu pesado porrete com facilidade e seguia em direção ao goblin sedento por sangue, porém fora interrompida pela espada ampla do paladino, com um golpe rápido o braço da criatura fora decepado, levando com ele uma grande quantidade de sangue, sujando toda a armadura branca com sangue preto. Meio segundo depois, aproveitando a brecha o anão se aproximava pela retaguarda e golpeava o paladino com seu martelo, este por puro reflexo bloqueia com seu escudo no último segundo, o impacto explodia com tanta força que o escudo amassa.
O sacerdote de valkaria logo corre com dificuldade até o goblinóide ferido enquanto erguia sua mão – que a mão abençoada cure esse valoroso companheiro e o permita lutar mais uma vez! – Falara enquanto encostava a mão no goblinóide, mas nada acontecera, seu braço continuava a sangrar.
Avançando rapidamente, enquanto o grupo estará ocupado a figura com roupas pomposas agarra Hannah e a carregava até a floresta, ainda vítima do feitiço da fada ela permanecia imóvel.
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Os inimigos desapareciam nos arbustos. O paladino mal se mantinha em pé. Gimbol ainda tentava entender o que acontecera e porque fugiram. Algum tempo depois, sem marcas ou qualquer sinal de ferimentos Hannah surgia dos arbustos caminhando com dificuldade, as lagrimas vertiam fartas de seu rosto.
eles o levaram! Devemos alcançá-los antes que seja tarde! – A tristeza em seus olhos era algo capaz de trincar montanhas. Gimbol e o Paladino, olhavam incrédulos e confusos sobre como ela havia conseguido escapar. Ou no caso de Gimbolporque eles soltariam ela? – Pensou em seu íntimo. Antes de terem tempo para fazer alguma pergunta ou avaliarem a sua situação, uma luz de tocha surgia no morro.
o que está acontecendo aqui? – Dizia um aldeão com barbas brancas segurando uma tocha.
ouviram esse barulho? – Dizia uma senhora de corpo bem volumosos e obeso, portando um grande facão em mãos.
também ouvi, deve ter vindo da clareira – Dizia um jovem rapaz vestindo alguns trapos – olhem! Ali! – Apontando para a clareira onde o grupo estava.
Os moradores viram os aventureiros em uma posição difícil. Um guarda da milícia morto aos seus pés e o grupo com suas armas repletas de sangue.
SILENCIO. Gimbol gelou. O Paladino nem teve tempo de falar alguma coisa.
ASSASINOS! MATARAM O MIKAEL! – Vociferava um aldeão enfurecido com uma vassoura de pontas de aço em mão, provavelmente um camponês, ele tremia muito, como se estivesse prestes a enfrentar criaturas selvagens.
Gimbol já engolia em seco, passara por muita coisa sendo um ladrão na favela de Valkaria, conseguia prever no que isso ia dar, seus olhos rápidos começavam a procurar possíveis saídas para o grupo.
bastardos! Não deixem que fujam! – Falou um aldeão segurando uma tocha.
ELES SÃO OS MESMOS QUE VIERAM JUNTO COM AQUELE MINOTAURO! EU VI! – Era o bêbado que fora expulso da taverna do Grunt pelo miliciano Mikael mais cedo.
Tod, pegue os cavalos e avise as cidades vizinhas! Temos assassinos se passando por aventureiros, entre eles há um suposto sacerdote de Tauron e um guerreiro se passando de paladino de Valkaria – Já dizia um homem de armadura, provavelmente um miliciano. O garoto engoliu em seco e correu para a cidade.
A multidão enfurecida investia em direção ao grupo armados de vassouras, foices, facões, paus e outras armas improvisadas.
não tempos tempo para segui-los e nem podemos ferir uma multidão inocente, um problema por vez! – Dizia o Paladino – vamos nos concentrar em ficar vivos primeiro!
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[...] e chega ao fim o primeiro fragmento – fechara o tomo grosso e pesado, enquanto erguia-se com dificuldade e caminhava até a estante com uma quantidade infinita de livros, recolocou o tomo em uma lacuna e pegou outro, soprou e a poeira voou farta – mal sabiam eles que a história apenas se inicia [...]

Arte Original de Capa: Scott Chou
Arte Original de Mapa 01 e 02: André Vazzios 

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